Eu preciso de alguém que me faça calar a boca. Alguém que me obrigue a escutar, alguém que me domine. Eu preciso disso pra parar de ter vontade de ficar olhando pro lado o tempo todo. Eu preciso de alguém que me cure, um homem que me cure. Acho que esse cara não existe.. quer dizer, ainda não encontrei ele. Mas eu vou continuar procurando.
Os dias passam, meu corpo apodrece. Corpos apodrecem. Por isso nada sou senão palavras. Quando escrevo, me afirmo. Quando falo, ganho sentido. Quando penso, ganho corpo. Meu corpo é letra e linha. Meu corpo palavra.
Eu não quero mais dormir sem você, nunca mais. Eu pedi pra você não largar a minha mão e mesmo dormindo você não largou. eu tô com medo. 'Cê é perfeito pra mim. Muito. Todo. da voz ao tamanho do pau. Agora eu não acho nada, num penso nada, num quero mais saber de nada. eu me abandonei em você. Nada nunca foi tão bom.
Hoje vou procurar a palavra que se perdeu, que escapuliu entre meus dedos, qual a palavra que escorreu por minhas mãos. Eu hoje vou conter nas letras esse fluxo que não pára de me levar pra longe daqui. Eu vou ficar aqui, quieta, enquanto frases se formam, enquanto parágrafos inteiros se fixam na tela. Alguns fogem. E eu deixo que fujam, porque sei que posso recuperá-los, melhores, adiante. Não me desespero mais. Encontrei o leito por onde escoar o meu excesso.
Eu estou vazia, meu apartamento tá vazio. São Paulo tá vazia. Eu estou morrendo de amor. Eu queria te dar minha última lágrima, mas eu estou seca. Eu não consigo nem chorar.
Nome Próprio, dirigido por Murilo Salles