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Detestava estes quartos de hotel anônimos onde tanta gente havia passado sem deixar vestígios, onde ela não deixaria traço algum. "Tudo será exatamente igual e eu não estarei aqui. É isso a morte" pensou. "Se ao menos, a gente deixasse uma marca no ar, pela qual o vento se engolfaria gemendo; mas não, nem uma ruga, nem uma falha. Outra mulher dormirá nesta cama..." Afastou as cobertas. Seus dias eram avaramente medidos, não devia perder um minuto, e eis que se encontrava enclausurada naquela triste província onde só lhe restava matar o tempo, o tempo que morre tão depressa. "Esses dias não deveriam contar", pensou. "Devia-se considerá-los como não vividos. Isso me daria 24 multiplicado por 8, uma reserva de 192 horas a acrescentar aos períodos em que os dias são curtos demais..."

Simone de Beauvoir, Todos os homens são mortais.

Como abater uma nuvem a tiros

sirenes, bares em chamas,
carros se chocando,
a noite me chama,
a coisa escrita em sangue
nas paredes das danceterias
e dos hospitais,
os poemas incompletos
e o vermelho sempre verde dos sinais



(leminski)

"Gostaria de ter jeito para falar inanidades labirínticas como certos psicanalistas ou sociólogos, ou um desses pensadores franceses, desses que costumam aparecer nos cadernos de cultura dos jornais, para, na maior parte dos casos, sumir imediatamente após, e que não dizem nada, mas intimidam as pessoas com seus relambórios."





"E falei "paixão" de forma tão ambígua que eu mesma senti o ambiente esquentar e ficar como se um vapor  escarlate tivesse repentinamente se evolado do chão. E senti pena dele, coitado."



A casa dos budas ditosos, João Ubaldo Ribeiro

Eu preciso de alguém que me faça calar a boca. Alguém que me obrigue a escutar, alguém que me domine. Eu preciso disso pra parar de ter vontade de ficar olhando pro lado o tempo todo. Eu preciso de alguém que me cure, um homem que me cure. Acho que esse cara não existe.. quer dizer, ainda não encontrei ele. Mas eu vou continuar procurando.


Os dias passam, meu corpo apodrece. Corpos apodrecem. Por isso nada sou senão palavras. Quando escrevo, me afirmo. Quando falo, ganho sentido. Quando penso, ganho corpo. Meu corpo é letra e linha. Meu corpo palavra.

Eu não quero mais dormir sem  você, nunca mais. Eu pedi pra você não largar a minha mão e mesmo dormindo você não largou. eu tô com medo. 'Cê é perfeito pra mim. Muito. Todo. da voz ao tamanho do pau. Agora eu não acho nada, num penso nada, num quero mais saber de nada. eu me abandonei em você. Nada nunca foi tão bom.

Hoje vou procurar a palavra que se perdeu, que escapuliu entre meus dedos, qual a palavra que escorreu por minhas mãos. Eu hoje vou conter nas letras esse fluxo que não pára de me levar pra longe daqui. Eu vou ficar aqui, quieta, enquanto frases se formam, enquanto parágrafos inteiros se fixam na tela. Alguns fogem. E eu deixo que fujam, porque sei que posso recuperá-los, melhores, adiante. Não me desespero mais. Encontrei o leito por onde escoar o meu excesso.

Eu estou vazia, meu apartamento tá vazio. São Paulo tá vazia. Eu estou morrendo de amor. Eu queria te dar minha última lágrima, mas eu estou seca. Eu não consigo nem chorar.


Nome Próprio, dirigido por Murilo Salles