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Detestava estes quartos de hotel anônimos onde tanta gente havia passado sem deixar vestígios, onde ela não deixaria traço algum. "Tudo será exatamente igual e eu não estarei aqui. É isso a morte" pensou. "Se ao menos, a gente deixasse uma marca no ar, pela qual o vento se engolfaria gemendo; mas não, nem uma ruga, nem uma falha. Outra mulher dormirá nesta cama..." Afastou as cobertas. Seus dias eram avaramente medidos, não devia perder um minuto, e eis que se encontrava enclausurada naquela triste província onde só lhe restava matar o tempo, o tempo que morre tão depressa. "Esses dias não deveriam contar", pensou. "Devia-se considerá-los como não vividos. Isso me daria 24 multiplicado por 8, uma reserva de 192 horas a acrescentar aos períodos em que os dias são curtos demais..."

Simone de Beauvoir, Todos os homens são mortais.